Querida troika
"Escrevo no seguimento da carta enviada pelo meu ministro das Finanças em que se compromete a tudo fazer para pagarmos as nossas dívidas. Também eu, cidadão português, junto a minha voz empenhada à de Vítor Gaspar e assumo o compromisso de pagar, a tempo e horas, os meus impostos, os descontos para a minha reforma, todas as despesas inerentes à educação dos meus filhos, bem como todos os custos que tiverem de ser pagos sempre que existir um problema de saúde comigo ou com os meus familiares.
Aceito abdicar do subsídio de Natal e suportarei todas as prestações da minha casa, as contas de gás, luz e água e todas as despesas do aumento do preço da carne, do peixe, do leite e derivados, associadas à inevitável subida do IVA.
Para mim nada peço. Mas para os meus filhos, que são pequeninos e não têm culpa alguma de toda esta trapalhada, e que ignoram por completo o significado da expressão "dívida soberana", rogo que me indiquem um país onde eles possam trabalhar honestamente, progredir pelo mérito e, quiçá, constituir uma família.
Em virtude da delicadeza do assunto, gostaria de ter uma resposta com alguma brevidade.
Sem mais, subscrevo-me atenciosamente,
Miguel Alexandre Ganhão"
Sem comentários:
Enviar um comentário